Cansei do corporativo. E agora?
Quando a solução não é só simplesmente sair de cena ou mudar o roteiro
"Eu via minha vida passar através de uma janela de vidro do escritório, por dias consecutivos, e nada mudar. As dores de cabeça se tornaram constantes, a ansiedade tomou conta de mim e o stress vinha atacando meu estômago. O meu corpo sinalizava o que minha alma já vinha clamando há tempos: um grito de liberdade.”
Escolhi esse trecho do meu livro para começar nosso papo de hoje, pois ele descreve muito bem o momento em que os questionamentos sobre o meu caminho começaram. Por muito tempo, eu acreditei que havia somente uma forma de ser uma profissional respeitada e de "sucesso”. Escolhi o caminho que me parecia "normal”, mais seguro e estável: uma carreira no mundo corporativo.
E tive muita recompensa por isso: salário, bônus e viagens. Mas também aquele tipo de retorno que o nosso ego adora: o reconhecimento, o provar sei lá para quem que eu era capaz. E te conto: não é só o finnaceiro que vem como barreira na hora de mudar. Essas "carícias” do ego também não são tão fáceis assim de romper e páram muita gente.
Aos poucos comecei a notar que meu corpo ainda continuava indo todos os dias para o escritório, mas minha energia e alma estavam bem longe dali. Fui percebendo o quanto esse caminho estava naquele momento me afastando de mim mesma. Do que me motivava e brilhava os olhos.
Me vi em um grande dilema pois não é que eu não gostava de mais nada do que fazia, mas não conseguia me ver mais por muito tempo naquele mesmo lugar, empresa e cargo. Eram muitas dúvidas: Será que o corporativo não é mais pra mim? Eu tenho capacidade de empreender? Ou será que simplesmente ser PJ já resolveria meu problema?
A vida não é uma resposta única
Estava cansada sim das reuniões, encenações, das disputas veladas e máscaras vestidas. Me sentia rodeada de pessoas seguindo um determinado script. Ninguém estava ali "de verdade", sabe?
Infelizmente consequências de um modelo capitalista quando visa o lucro a qualquer custo. E, para isso, cria uma dinâmica de incentivos na qual as pessoas fazem de tudo para permanecer no jogo.
Mas quando as "metas” não estão mais conectadas àquilo que te move de verdade, aí perdemos a razão de fazer aquilo que fazemos. E já imaginou estar fazendo algo 40 horas por semana sem ver nenhum sentido nisso?
A primeira reação de muitos (e também minha): "Então a saída é largar o mundo corporativo e nunca mais voltar?".
A resposta, como quase tudo na vida, não é tão simples. E, definitivamente, não é única. O ambiente corporativo que fez todo o sentido para mim aos 24, com sua promessa de crescimento e aprendizado, parou de fazer sentido aos 35. E quem pode dizer o que fará sentido aos 48?
A certeza que temos e que se aplica aqui mais uma vez: tudo muda. O que não nos serve hoje, pode nos servir amanhã por outros motivos, com outra maturidade, outro propósito.
O meu ponto aqui não é demonizar um caminho ou idealizar outro. Não é nada contra o corporativo (até porque existem sim empresas não se corrompendo colocando o lucro acima de tudo - poucas mas têm).
A questão fundamental não é se o "corporativo" é bom ou ruim. A questão é: ele está sendo bom para você, agora?
"Temos que estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos ter a vida que nos espera."
Joseph Campbell
E se não for sobre o "como"?
E se para responder a essa pergunta acima, precisemos mudar um pouco o foco da nossa investigação interna?
Muitas vezes, quando estamos insatisfeitos, ficamos presos no "como":
Como eu peço demissão?
Como eu mudo de área?
Como eu encontro outro trabalho que pague as contas?
Essas são perguntas importantes, mas são sobre a logística da coisa; e não a "raiz” do problema.
A pergunta essencial nesse momento para trazer a verdadeira clareza (e que destrava todo o resto), está muito mais na linha do "porquê".
Por quê eu faço o que faço?
Por quê o meu trabalho atual parou de fazer sentido?
O que, em um nível mais profundo, está faltando para mim?
O que, na essência, eu busco através do meu trabalho (além do salário)? Reconhecimento, segurança, impacto, criatividade, conexão, expressão?
Quando ganhamos clareza disso, a decisão de ficar ou sair de um lugar deixa de ser uma fuga desesperada e se torna nossa escolha consciente.
O importante é saber se o papel que estamos desempenhando em determinado trabalho está alinhado a quem verdadeiramente nos tornamos (principalmente se você já passou dos 30 e poucos anos quando a nossa busca é muito mais por ganhar espaço e se consolidar profissionalmente).
Com essa clareza, o "como" se torna apenas o próximo passo a ser resolvido – e que também tem sua importânica, mas vem depois.
Pular etapas e ir direto para o “como” talvez te leve a mudar para um lugar que não é necessariamente o que você deseja - como o que aconteceu comigo em meu primeiro empreendimento. Mais dia menos dia, a pergunta acima não respondida bate na nossa porta de novo.
Então, talvez a sua primeira, e mais importante, transição a fazer aqui não é de trabalho, mas de pergunta:
"Como eu saio daqui?" para "Por quê eu estou aqui?'
👉 Leia também: Quando tudo bagunça por dentro
✍️ Uma pausa para trazer clareza
Que tal começar a encontrar respostas genuínas?
Da lista de "cansaços" que descrevi no início (reuniões, máscaras, competição, etc.), qual deles mais consome a sua energia hoje?
O que é inegociável para você em um trabalho? Liste 3 valores que não podem ser desrespeitados.
Imagine seu trabalho ideal, sem se preocupar com o cargo ou a empresa. O que você estaria sentindo ao realizá-lo? (ex: energizado, criativo, útil, em paz?)
Quando o que te MOVE está claro, a transição acontece
Se você sente que precisa de ajuda para encontrar o que te move e, a partir disso, construir um novo capítuo na sua vida, o Programa de Transição de Vida & Trabalho foi desenhado para ser esse guia.
Vamos dedicar um tempo profundo para você se reconectar com suas motivações genuínas, analisar seus ciclos de vida e o que te trouxe até aqui, e como criar uma nova rota de atuação com muito mais sentido para que sua próxima decisão de carreira (e vida!) seja a mais consciente possível.
📕 Mais inspiração para refletir sobre esse tema:
👉 O livro "Antes de partir: os 5 principais arrependimentos que as pessoas têm antes de morrer" de Bronnie Ware que traz como arrependimento nº 1: "Gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, não a vida que os outros esperavam de mim".
👉 Meu livro "Criadora Sou, Protagonista Estou” no qual narro de forma transparente a minha jornada de transição com altos e baixos, medos e alegrias, erros e conquistas. Para adquirir a versão impressa, me chama no botão aqui abaixo.
Até a próxima semana!



